A atenção não falta: ela é difícil de controlar. Você consegue mergulhar horas no que prende seu interesse e não consegue começar a tarefa chata que vence amanhã. Isso tem nome técnico: desregulação da atenção, não ausência dela. O nome do transtorno engana, porque o problema não é a quantidade de atenção, é onde ela decide pousar.
No fundo, o TDAH é uma diferença na função executiva, o conjunto de processos que planeja, prioriza, inicia, sustenta o esforço, controla o impulso e administra o tempo. É como ter um maestro distraído na frente da orquestra: os músicos são bons, mas a entrada de cada um sai fora de hora. A música existe, falta o regente. Por isso duas pessoas igualmente capazes podem ter destinos tão diferentes na prática: uma tem o regente afinado, a outra briga com ele o dia inteiro.
Não é raro nem marginal. Uma metanálise de referência estimou a presença de TDAH em cerca de 2,5% dos adultos no mundo, e as diretrizes internacionais apontam que o quadro segue subdiagnosticado e subtratado na maioria dos países. Ou seja: muita gente carrega o quadro sem nome, achando que o problema é falha pessoal.
Por fora, vira a fama de relapso, esquecido, descomprometido. Por dentro, é uma luta diária contra o próprio cérebro para fazer o que os outros parecem fazer no automático. Muita gente passa a vida ouvindo que é só questão de se esforçar mais, até descobrir, adulta, que estava jogando um jogo com regras diferentes o tempo todo.